Em um futuro distante irei falar do meu presente, Das dores de um presente que será passado no futuro. Do amor que me rejeitou,dos irmãos que perdi Da paixão que me consumia, em uma noite qualquer preenchida de aventuras ensaiadas Beijos e abraços, cinzas espalhadas pelo caminho De uma casa qualquer no meio do nada em uma cidade iluminada. Sei que vou lembrar com receio do que fiz Um dia vou lembrar das minhas lagrimas forçadas, do meu corpo que não quer chorar. Vejo meu futuro de cabelos brancos Numa casa pintada de cores inventadas Por uma cabeça louca e perdida Presa no vazio do infinito. Vou lembrar dos seus afagos excitados Junto aos meus seios ferventes de prazer Só não quero ser um velho grisalho arrependido com meu uísque Esperando a vida acabar.
II
Os cabelos grisalhos do senhor de meia idade que passa diante da avenida movimentada, se ressaltaram com o brilho Que o sol tão forte iluminava esta alma já envelhecida e cansada, Onde neste momento lembrava da plena juventude, Sem arrependimentos, nem ressentimentos de uma vida sem rumo, Tanta liberdade em um coração tão só. Que nunca teve espaço para felicidade em um peito solitário. Ele caminhava, e junto de si uma mala de ilusões perdidas Sonhos jamais conquistados. Seus olhos sábios, já sabiam de mais, Que viver certas emoções era incabível em sua longa vida repleta de experiências. E pensava incansavelmente: - Será que esta estrada tem fim? -Será que verei o céu tão azul outra vez? -Ou será que nunca vi? -E não percebi!? -Será que perceber a subjetividade é tão simples assim? -O que é o ser subjetivo na natureza nunca linear? Apenas gostaria de sempre ser o artista do meu intimo cotidiano, o poeta da minha longa vida e profeta da minha própria história.
Diz-se que a saudade mata Que a saudade dói Que até nos machuca. Pois lhe digo que nunca ouvi tanta asneira em toda a vida Não há palavra de grau tão ínfimo como a da saudade, A saudade há, quando não se tem E o simples fato de não ter, se torna tão dramático ao homem, Que faz, ‘’o não possuir’’, uma outra dor inventada A ‘’saudade’’ O homem é criativo Até mesmo em suas dores Os conflitos emocionais humanos São contingentes à teus modos compassivos da realidade Sentimentalização chula da insustentável vontade de existir Fazendo das trevas um esconderijo de seus sentimentos inventados De sua mente agonizada Pois esta dito, onde há saudade não há verdade A saudade se dá quando se prende. Porque esse desejo,essa vontade de estar? Porque simplesmente nunca ‘’estar’’ Não quero ‘’estar’’ nunca ao lado de ninguém Nem à frente Muito menos atrás de ti Simplesmente não quero a saudade Saudade é um desejo de estar onde nunca retornará.
Engana esta face que te chama Aquelas palavras de uma língua órfão E vozes que saem roucas de um longo silêncio Engana esta face que te clama, Você, sempre aquele brilho com sorriso maroto Eu, uma sombra que anda pela penumbra Com o eterno medo de ser notado e julgado Engana esta face que te beija Memórias vivas que sangram pelas minhas narinas Pés cansados de um aleijado Cajado de um cego torturado Engana esta face que te deita Duas faces sem lastro De um destino planejado Pés calejados que olham para o céu Já fartos de correr Um peito arranhado cansado de esperar Uma face gêmea que não enganas Teu desejo de chamar,clamar e deitar Numa vida única De planos avulsos jogados no espaço