sábado, 13 de junho de 2009

Guria Desalinhada



Cruzei ventos de todas as direções
E ainda sou a imperfeição exata
Que chega sempre na hora errada

M.A

sábado, 11 de abril de 2009

O Amargo do Silêncio


E amargas desesperanças surgem na língua falha

E o destino se consome ao vento

Desaparecendo a leve sensação de felicidade

No meio da impura ilusão
M.A

terça-feira, 7 de abril de 2009

Verdades Descaradas



As pessoas são tão pretensiosas que acham que para atingir os céus e a divindade,ou para chegar ao Outro Lado ou Outro Mundo, qualquer que seja, é preciso ter um estudo minucioso de escritos sagrados. Atingindo um diálogo com um “Deus” ou algum profeta.
Não serão instruções escritas num livro dito divino que chegaremos a vida eterna.
O que é vida eterna? Pra que essa infinita ambição? não basta tudo ter fim? o que é o "fim" e onde é o "começo"?
Pra que tantas preocupações com o depois, se o que vai guiar seu espírito é teu “coração”
Sua alma pura te levará a bons caminhos
Já a impura levará a caminhos comparados ao inferno
É a liberdade do corpo que se alcança a satisfação da alma
É a paz interior que guiará os passos do meu corpo
É em "vida" que chegarei a divindade
Já o depois
Quem sabe?
Apenas não se sabe
É em dúvida que se vive
O que seria "buscar" se a certeza fosse verdade?



M.A

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rabisco


Vi um rabisco meu num canto isolado, numa esquina onde se deitava um mendigo. Mendigo esse que tinha um ar satânico quando tentava abrir teus olhos que não prestavam mais.
Esse rascunho ou rabisco estava colado na parede de frente ao mendigo, que olhava o rabisco como se fosse um Deus. Tinha um sorriso sórdido, me lembrou quando eu contava mentiras ou quando as pessoas me perguntavam quem eu era.
Eu tinha esse mesmo sorriso, sórdido, mascarado, mentiroso. Enfim tomei coragem e me aproximei do rabisco sagrado,o mendigo se quer se virou para ver quem se aproximava com tanta curiosidade.
Observei atentamente aquela parede, abaixei-me e depois olhei bem no fundo dos olhos do mendigo, e perguntei o que tanto admirava naquele rabisco, sua reposta foi a mais impressionante que já ouvi, disse-me com um ar de desdém que não havia nenhum rabisco pregado na parede. Não havia nada em lugar nenhuma, em canto algum se encontrava qualquer rabisco, e que tudo era fruto de minha fascinação por inventar rabiscos em todo canto.
Quando desesperada me dei conta que realmente quem imaginou ter visto um rascunho meu, era eu mesma, tentando nem que seja num rabisco qualquer, encontrar um esboço de um sorriso absorto.
M.M

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

E Viva a Toda Nudez!



A nudez das palavras frias e sinceras
O eu lírico soando ao vento
Sem a mínima culpa de estar nu
E Viva a mente despida do mau caráter humano!
E quem foi que disse que toda nudez será castigada?
Viva as grandes idéias sem máscaras
Viva a todos seios caídos e cabelos mal lavados
E Viva mais uma vez a toda nudez da mente, corpo e alma!
M.A

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A louca



Quando ela passa: - a veste desgrenhada,
O cabelo revolto em desalinho,
No seu olhar feroz eu adivinho
O mistério da dor que a traz penada.
Moça, tão moça e já desventurada;
Da desdita ferida pelo espinho,
Vai morta em vida assim pelo caminho,
No sudário de mágoa sepultada.
Eu sei a sua história. - Em seu passado
Houve um drama d’amor misterioso
- O segredo d’um peito torturado -
E hoje, para guardar a mágoa oculta,
Canta, soluça - coração saudoso,
Chora, gargalha, a desgraçada estulta.
Augusto dos Anjos

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Doentio




A maldição me cerca a cada passo que dou
E a cada passo que penso em dar me dói ,
E minhas pernas travam num ato tão sublime
Que paro, penso e continuo tentando
Já não tenho fôlego pra levar uma vida tão
Correta e linear
Sempre que tento andar sobre linhas retas
Os atalhos insistem em surgir no meio do caminho
Como curvas secretas
Me fazendo desviar da tênue linha reta
Ouçam, é o som da glória gritando pra mim mais uma vez
E eu fingi não escuta-l a,
Finjo não ouvir, finjo não ver
Finjo não ter medo do destino que eu mesma criei pra mim
Tentar morrer é tão difícil quanto tentar viver
Talvez seja mais simples viver sobre cacos de vidros,
Do que ser alguém que nunca fui ao lado dos
Hipócritas que as pessoas se tornaram
Essa falsidade que torna seres tão complexos e egocêntricos
A complexidade humana transformou o ‘’Ser’’ em ‘’Ter’’.
Eu Gosto é das mãos sujas de lama,
Eu Gosto é do gesto rude no olhar,
Eu Gosto é da maldita descrição que fazem sobre mim,
O sujo, o mal lavado e o desalinhado é que me interessa.